Câmbio mal gerenciado custa caro e estudos recentes revelam o impacto nos resultados das empresas
Quanto uma empresa pode perder por não gerenciar adequadamente sua exposição cambial?
A resposta varia conforme o negócio, mas estudos recentes mostram que o impacto vai muito além da cotação do dólar. O câmbio pode afetar resultado, margem, liquidez e capacidade de planejamento.
Segundo a Global Treasury Survey 2025 da PwC, 83% dos líderes de tesouraria apontam o risco cambial como sua exposição econômica mais crítica. Ao mesmo tempo, 36% das empresas pesquisadas ainda utilizam processos manuais na gestão de suas exposições cambiais.
Outro levantamento, conduzido pelo HSBC com mais de 800 CFOs e profissionais seniores de tesouraria, mostrou que aproximadamente 41% dos entrevistados relataram redução de resultados associada a exposições cambiais relevantes sem proteção.
O ponto não é prever o dólar. É estar preparado para ele.
O problema não é o dólar subir ou cair
Nenhuma empresa controla o mercado. Juros, inflação, decisões de bancos centrais, política comercial, conflitos geopolíticos e fluxos internacionais podem alterar rapidamente o comportamento das moedas.
Mas existe uma diferença importante entre não controlar o câmbio e não gerenciá-lo. A empresa pode definir quanto da exposição permanece aberta, quando contratar, qual instrumento utilizar, com quais instituições negociar, qual VET aceitar e quando uma estratégia de proteção faz sentido.
Um estudo publicado pelo Bank for International Settlements (BIS) encontrou evidências de que movimentos cambiais afetam significativamente os lucros das empresas analisadas. Os efeitos também alcançaram liquidez, investimento e contratação, e o estudo identificou que instrumentos de hedge podem mitigar parte desses impactos.
Por isso, a pergunta mais útil deixa de ser “Quanto está o dólar hoje?” e passa a ser “Como minha empresa está gerenciando o câmbio?”
Da cotação para a Inteligência Cambial
Inteligência Cambial é a capacidade de enxergar a exposição de forma consolidada, acompanhar o mercado, comparar instituições e instrumentos, avaliar alternativas de proteção e medir os efeitos das decisões tomadas.
Em vez de buscar uma cotação apenas quando surge um pagamento ou recebimento, a empresa passa a trabalhar antecipadamente seus fluxos, riscos e alternativas.

Não existe o melhor banco para todas as operações
Uma instituição pode ser mais competitiva em câmbio pronto. Outra pode ter melhor estrutura para hedge. Uma terceira pode oferecer condições mais adequadas para determinada moeda, prazo ou estrutura financeira.
Concentrar toda a estratégia cambial em uma única instituição pode limitar as alternativas disponíveis. Não existe necessariamente o melhor banco para todas as operações. Existe a melhor combinação para cada necessidade.
Uma estrutura de Inteligência Cambial permite comparar players e avaliar câmbio pronto, operações futuras, NDFs, hedge, diferentes moedas, trade finance e outras estruturas de acordo com a realidade da empresa.
Inteligência interna ou assessoria especializada?
Grandes companhias podem manter equipes próprias de treasury, sistemas especializados e relacionamento direto com diversas instituições financeiras. Para outras empresas, construir toda essa estrutura internamente pode não ser eficiente.
Uma assessoria especializada pode atuar como extensão da área financeira, ampliando o acesso a players, informações de mercado, produtos e estruturas. Há também o modelo híbrido, em que a gestão permanece interna e especialistas externos ampliam a capacidade de análise e execução.
Terceirizar inteligência não significa terceirizar a decisão.
Sua empresa possui Inteligência Cambial?
Você conhece o VET médio das suas operações cambiais?
Compara efetivamente condições entre diferentes instituições?
Conhece sua exposição cambial para os próximos meses?
Possui critérios definidos para decidir quando e quanto proteger?
Consegue medir o impacto do câmbio sobre sua margem?
Se algumas dessas respostas ainda não são claras, pode existir espaço para evoluir a gestão cambial. Não se trata de descobrir onde estará o dólar amanhã, mas de construir processo, informação e estratégia para tomar decisões melhores em diferentes cenários.
Quer aprofundar o tema?
Preparamos o Playbook de Inteligência Cambial, um guia executivo para empresas que compram, vendem ou mantêm compromissos em moeda estrangeira.
O material aborda gestão de exposição, VET, comparação entre instituições, hedge e os principais pontos para estruturar uma política cambial mais eficiente.
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